1 Pedro 4.12-19 A Igreja Perseguida

Em meio às lutas da vida, Cristo é a nossa esperança!

 

A IGREJA PERSEGUIDA

1 Pedro 4.12-19

12 Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo.

13 Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria.

14 Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês.

15 Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso ou como quem se intromete em negócios alheios.

16 Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome.

17 Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus

18 E, “se ao justo é difícil ser salvo, que será do ímpio e pecador? ”

19 Por isso mesmo, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem confiar suas vidas ao seu fiel Criador e praticar o bem.

 

GRANDE IDEIA: O cristão, cuja esperança é Cristo, sofre por Ele, glorifica-o e confia sua vida ao Senhor.

 

Introdução:

Segundo a missão Portas Abertas, mais de 215 milhões de cristãos no mundo enfrentam algum tipo de oposição como resultado de sua identificação com Cristo. Essa missão já identificou cerca de 50 países onde a perseguição é mais severa. Para eles, a “perseguição religiosa ocorre quando: a) não têm seus direitos de liberdade religiosa garantidos; b) a conversão ao cristianismo é proibida por conta de ameaças vindas do governo ou de grupos extremistas; c) são forçados a deixar suas casas ou empregos por medo da violência que pode alcançá-los; d) são agredidos fisicamente ou até mesmo mortos por causa de sua fé; e) são presos, interrogados e, por diversas vezes, torturados por se recusarem a negar a Jesus”. A Missão Portas abertas afirma que o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo.

Em 2016, segundo dados do centro para estudos do cristianismo mundial, um cristão foi morto a cada seis minutos em 2016.

A carta que estamos estudando foi escrita por Pedro para igrejas, irmãos, que estavam espalhados por 5 regiões da ásia, provavelmente, todas essas eram províncias criadas pelos Romanos. Pedro falou de perseguições e o sofrimento pessoais até agora, sua fala se dirige aos problemas relacionais. Mas agora ele fala de uma perseguição maior, à qual aqueles irmãos já viviam e ainda veriam piorar pela frente. Mas, desde o início da carta, Pedro insiste que a nossa esperança é Jesus Cristo. Nele recuperamos as forças, nele somos salvos do pecado e do inferno, nele temos a certeza do céu de modo tão intenso, que já não nos consideramos a nossa cidadania terrena como preciosa, mas já nos declaramos como cidadãos dos céus e, portanto, como forasteiros neste mundo.

Agora, o apóstolo Pedro caracteriza o verdadeiro cristão nesta passagem, afirmando que “o cristão, cuja esperança é Cristo, sofre por Ele, glorifica-o e confia sua vida ao Senhor”. Esta é a reposta esperada diante da pergunta: O que fazer? Como reagir diante da perseguição religiosa? 3 orientações nos são dadas, vamos a elas:

 

  1. ALEGREM-SE NO SOFRIMENTO POR CRISTO.

12 Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo.

13 Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria.

14 Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês.

Pedro, no verso 12, pedem aos irmãos que não se surpreendam com o fogo que surge para os provar e que aquele fogo não era um acontecimento estranho, era algo comum. A palavra usada para fogo traduz a ideia do fogo utilizado para aquecer e reduzir metais, o equivalente a uma calamidade. Pedro sabia o que aqueles irmãos estavam sofrendo e não era diferente com os demais cristãos de outras regiões, inclusive ao que sofreram os próprios apóstolos.

Crer em Cristo nos tempos bíblicos era assumir um estilo de vida com o risco de morrer. Paulo disse algo semelhante quando afirmou na sua carta aos Romanos 8.36 “Como está escrito: “Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro”.

Mas ao contrário de em meio à dor da perseguição o cristão reclamar de Deus e da situação, Pedro o convoca a alegrarem-se por essa situação. Seu primeiro argumento é que sofrendo por Cristo, o cristão está participando dos sofrimentos de Cristo por ele. O amor grandioso demonstrado por Deus ao nos dar o seu filho para sofrer e morrer na cruz em nosso lugar, nos capacita a fazer o mesmo pela nossa fé em Cristo e pela pregação do evangelho a outros. Precisamos nos lembrar que o alvo de nossa vida como cristãos é sermos parecidos com Jesus e que Deus fará com que todos as coisas contribuam para o cumprimento deste objetivo (Rm 8.28,29).

Outro argumento de Pedro para que nos alegremos em meio ao sofrimento por Cristo é a nossa esperança futura, quando Cristo nos revelar a sua glória. Para Pedro, naquele dia da nossa morada eterna com Cristo no céu, os cristãos exultarão com grande alegria. Mas ele não para por aí, o cristão ainda pode alegrar-se em meio ao sofrimento por obediência a Cristo, porque pode confirmar que o Espírito Santo está sobre sua vida e é o Espírito Santo que confirma em nosso coração que somos filhos de Deus, que temos convicção de salvação.

Nos dias atuais ainda vivemos a chamada liberdade religiosa. Na medida que a Constituição ainda permite a liberdade de culto, temos visto vários grupos religiosos surgindo no Brasil. Essa liberdade trouxe consigo a possibilidade de evangelizarmos o país, mas o que tem acontecido, é que o evangelho está sendo ridicularizado com o mundo da música gospel, feita apenas para busca de lucros financeiros; ridicularizado com o surgimento de seitas e heresias diversas, envergonhado com o comércio religioso. Por causa disso, vemos começar uma perseguição religiosa ainda disfarçada na forma de tentativas de leis para tolhir os direitos das igrejas. A chamada parada gay que acontece todos os anos em muitas cidades, por exemplo, zomba dos símbolos religiosos, das igrejas, de Cristo, e isso com o patrocínio do governo. Será uma questão de tempo até que sejamos também presos e soframos com agressões físicas e muito mais.

Qual será a sua reação diante das perseguições? Alegre-se! Afinal, você é participante dos sofrimentos de Cristo, você tem o Espírito Santo confirmando sua salvação e aprovação de Deus e ainda exultará de alegria quando da sua entrada na eternidade com Deus.

Mas o texto continua. Como reagir diante da perseguição e do sofrimento por sermos de Cristo? A segunda orientação de Pedro foi:

 

  1. GLORIFIQUE A DEUS POR MEIO DE CRISTO.

15 Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso ou como quem se intromete em negócios alheios.

16 Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome.

Quando meu filho, à época com 4 anos, esteve internado por causa do seu 2º AVC, a frase que mais lia nas mensagens e ouvia nas palavras das pessoas direcionadas a mim era: “Deus está no controle”. No entanto, a maioria daquelas pessoas tinham sempre a visão de que se Deus está no controle, tudo tem que se resolver conforme nossas expectativas. Acontece que, ao invés disso, ao lermos a Bíblia, temos a compreensão que, de fato, Deus está no controle, mas que ele não é obrigado a atender minhas expectativas, e sim, que eu devo ser submisso à sua vontade soberana. Deus tirou meu filho daquele hospital e o livrou do risco de morte. No entanto, eu e minha família precisávamos sempre glorificar ao Senhor com nossas palavras e atitudes em meio ao sofrimento que tínhamos, ainda que o resultado fosse a morte.

Nas palavras do verso 15, Pedro admite que muita gente sofre por coisas erradas que fez. Mesmo pessoas cristãs, cometem pecado. E como o pecado nos separa de Deus, a tendência é que gere sofrimento e dor. Por exemplo, quando uma esposa ou marido, se deixa levar pelos prazeres da carne e colocam fim ao seu casamento, filhos, cônjuges, familiares, igreja, todos sofrem. Mas este sofrimento é fruto do pecado. Neste caso, não é para se alegrar, mas para chorar mesmo. Esse sofrimento é para que o homem pecador reconheça seu erro e arrependa-se do seu pecado.

Pedro enumera alguns exemplos também: “assassino, ladrão, criminoso ou como quem se intromete em negócios alheios”. Pedro fala de crimes graves, menos graves, e até de ser um intrometido, assumindo coisas que não são suas. Ou  seja, como já dissemos, se o sofrimento é fruto do pecado, a ideia é que a dor causada lhe conduza ao arrependimento.

Mas e o sofrimento por ser cristão, por defender sua fé, por fazer o que é correto, por pregar o evangelho? Neste caso, Pedro diz: não se envergonhe, mas glorifique a Deus pelo nome de Cristo. Envergonhar-se aqui não é pelo fato de ser Cristo. Esta expressão indica assumir sua condição de cristão diante daquele que o ofende, visando a glória de Deus, ainda que haja o risco de morte. Imagine diante da ameaça de morte, você afirmando que não vai negar a Jesus, mas que ficará firme com Cristo. As pessoas perguntarão: de onde vem essa força para não temer a morte, a dor e enfrentar tudo e todos por Cristo? O resultado será glória para Deus.

Esta expressão deve ser entendida como um desafio! Os apóstolos passaram por coisa semelhante em Atos 5.41,42, quando lemos: “Os apóstolos saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome. 42 Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo”.

Se fosse com você? O que você faria? Pedro ainda termina o texto com mais uma orientação. Diante da dor da perseguição:

 

  1. CONFIE SUA VIDA AO SEU FIEL CRIADOR.

17 Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus

18 E, “se ao justo é difícil ser salvo, que será do ímpio e pecador? “

19 Por isso mesmo, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem confiar suas vidas ao seu fiel Criador e praticar o bem.

O fim está próximo! Este é o motivo maior para que nossas vidas sejam mantidas fiéis e obedientes a Cristo e sua Palavra. Nenhum sofrimento deve abalar a vida do servo de Deus! Ele deve se alegrar em Cristo sempre, e focar sua vida na eternidade. Pedro observa no verso 17 que chegou a hora do julgamento. E ele afirma que Deus começará o julgamento pelo seu povo. Uwe Holmer, no “Comentário Bíblico Esperança” diz: “O fato de o juízo iniciar pela casa de Deus significa: Deus leva singularmente a sério o pecado no seio de seu povo. É ali que o pune primeiro”1.

Há algo importante aqui. Primeiro há a necessidade da santidade de vida daqueles que se afirmam salvos por Jesus. Se o julgamento vem, é preciso estarem preparados, santos, irrepreensíveis para este momento. Por outro lado, há ainda a necessidade de nosso trabalho na evangelização. Já que nem os salvos estão livres do juízo de Deus, o que acontecerá com aqueles que desobedecem ao evangelho? Aqueles que rejeitam a Cristo? Há urgência na evangelização deste mundo e isso é obra sua e minha.

Agora observem o verso 18. 18 E, “se ao justo é difícil ser salvo, que será do ímpio e pecador?”. Pedro não está afirmando aqui que a nossa salvação é fruto de esforço particular. Sabemos que a salvação que temos é um presente. Somos salvos pelo que Cristo fez. No entanto, Pedro sabe que ser salvo inclui uma vida de santidade. Há obra para ser feita por cada pessoa que creu em Jesus e quem é de Cristo fará essa obra. Pois se não a faz, não é de Cristo! A expressão indica que ao justo ser salvo é algo que envolve uma vida difícil, penosa.

Pedro termina explicando no verso 19 que, “Por isso mesmo, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem confiar suas vidas ao seu fiel Criador e praticar o bem”. Por que confiar as vidas ao criador? Aqui temos a ideia de um Deus que é onipotente, que criou todas as coisas e que a todas as coisas sustenta. Sendo assim, confiar ou entregar nossas vidas a Deus, indica crer que ele pode suprir todas as nossas necessidades.

Que privilégio! Temos um Deus amoroso que supre tudo que necessitamos, que anda conosco. Que, embora nos puna os erros, nos salvou em Cristo e nos conduzirá para uma eternidade de paz, de vida, de glória!

 

CONCLUSÃO:

O cristão, cuja esperança é Cristo, sofre por Ele, glorifica-o e confia sua vida ao Senhor.

Não sabemos o que nos sobrevirá pela frente. Mas somos convidados a manter nossa esperança em Jesus. Sofrer por causa do evangelho se necessário, glorifica-lo não negando-o, mas assumindo nossa posição, lutando pela salvação de outras vidas, confiando ou entregando nossas vidas àquele que nos criou, nos amou em Cristo, nos salvou, nos deu a vida eterna, e que, portanto, pode suprir todas as nossas necessidades.

Deus nos abençoe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1HOLMER, Uwe – CARTAS DE TIAGO, PEDRO, JOÃO E JUDAS / Fritz Grünzweig, Uwe Holmer, Werner de Boor / tradução Werner Fuchs. – Curitiba, PR : Editora Evangélica Esperança, 2008.

2 comentário em “1 Pedro 4.12-19 A Igreja Perseguida

  • De fato, um texto bem explícito e bem explicado em relação ao sofrimento pelo nome de Cristo!
    Porém na atual crise espiritual e moral em que muitas lideranças se encontram onde os mesmos vivem de muitos escândalos e ensinam só o ter nesta terra, nós os que se dizem ser de Cristo, ao lermos uma exegese como essa, nos alerta e nos encoraja a rejeitar esses ensinamentos profanos e nos chama a proclamar em nosso viver o “Verdadeiro Evangelho” que produz vida tanto aos que ouvem como aos que o assim o praticam !

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