Malaquias 1.1-5 Frieza Espiritual – Quando o amor de Deus é ignorado!

FRIEZA ESPIRITUAL

Quando o amor de Deus é ignorado!

TEXTO: MALAQUIAS 1.1-5

1 A palavra do Senhor a Israel, por intermédio de Malaquias.

2 Eu vos tenho amado, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Acaso não era Esaú irmão de Jacó? Diz o Senhor; todavia amei a Jacó,

3 e aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto.

4 Ainda que Edom diga: Arruinados estamos, porém tornaremos e edificaremos as ruínas; assim diz o Senhor dos exércitos: Eles edificarão, eu, porém, demolirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o Senhor está irado para sempre.

5 E os vossos olhos o verão, e direis: Engrandecido é o Senhor ainda além dos termos de Israel.

GRANDE IDEIA: A frieza espiritual é resultado da indiferença ao seu amor.

INTRODUÇÃO:

            Alguém afirmou que pior do ser odiado por outro pessoa é ser visto com indiferença. Tanto faz se você está ou não no local, ninguém nota sua presença. Já se sentiu assim?

            Em algum momento da vida nos deparamos em locais onde as pessoas simplesmente nos ignoram, e é pior, quando tais pessoas são conhecidas.

            Era isto que os israelitas estavam fazendo com Deus. Eles não odiavam a Deus, apenas viviam como se ele não estivesse presente. Não reconheciam a presença de Deus em suas vidas e na de seu povo.

            Será que tem sido diferente na sua vida espiritual? Deus é a razão da sua existência e o motivo de suas ações ou tanto faz que Deus esteja por perto, você não dá a mínima para isso?

            Os israelitas mantinham um relacionamento funcional com Deus, mas sem amor. Deus disse ao povo: “Eu vos tenho amado”. (o verbo no original, traz a ideia de uma ação do passado que continua acontecendo). Deus dizia: Eu continuo amando vocês. Mas a resposta do povo foi terrível: “Em que nos tem amado?”. Eles estavam tão insensíveis que queriam mais provas do amor de Deus.  Eles cultuavam, eles adoravam a Deus, mas não amavam o Senhor. Há como superar a frieza espiritual que nos conduz à indiferença?

            Nosso texto deixa pistas importantes na solução deste problema:

1. SER INDIFERENTE AO AMOR DE DEUS É UM GRANDE PERIGO.

“2 Eu vos tenho amado, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Acaso não era Esaú irmão de Jacó? Diz o Senhor; todavia amei a Jacó,”

            Como explicar que pessoas que experimentaram Deus em suas vidas um dia, agora sejam tão indiferentes à Ele? Como as pessoas podem chegar à frieza espiritual? Há algumas pistas no texto, vejamos:

1. Eles não deram o devido valor à mensagem de Deus: O verso primeiro traz as seguintes palavras: “A palavra do Senhor a Israel, por intermédio de Malaquias”. Nos originais temos a ideia de sentença ou peso que o Senhor pronunciou contra Israel.  A palavra utilizada por Malaquias aparece 27 nos escritos dos profetas do VT sempre com um tom ameaçador. Isto nos chama a atenção, pois significa que a Palavra do Senhor não pode ser tratada com descaso, com leviandade. O que Malaquias estava para dizer era pesado. O que ele vai pregar não é agradável de ouvir, mas é necessário.

            É neste ponto que visualizamos o perigo da frieza espiritual. As palavras de Malaquias são para Israel. Israel é o povo escolhido de Deus dentre as nações. A geração para qual Malaquias pregou havia nascido debaixo da Aliança. Toda a vida dos Israelitas desde crianças era centrada na sua religião. Mas agora estão insensíveis à mensagem de Deus. Indiferentes à sua presença. Isto acontece conosco. Temos mais coragem para compartilhar coisas que não edificam do que coragem para meditar e compartilhar a Palavra de Deus.

            Rowland Hill foi um pregador inglês do Século XVIII, pouco antes de sua morte, estava conversando com um velho amigo que lhe disse que ainda podia lembrar o texto e parte de um sermão que ele tinha ouvido Hill pregar 65 anos antes. Hill perguntou o que ele se lembrava. Ele declarou que Hill havia dito que algumas pessoas, quando escutam um sermão não gostam da entrega do pregador. Então ele disse: “Imagine que você tenha sido convidado para ouvir a leitura de um testamento de um parente seu, e você espera que ele tenha deixado alguma coisa para você. Você dificilmente pensaria em criticar a forma como o advogado iria ler o testamento. Em vez disso, você teria toda a atenção para ouvir se alguma coisa foi deixada para você e se assim for, quanto. Esta deve ser a maneira de ouvir a pregação do evangelho”

            Queridos, não podemos ser indiferentes ao grande amor de Deus por nós. Precisamos conhecer a sua palavra e nela meditar. Leia Malaquias toda semana. Descubra que Malaquias é uma verdadeira carta de amor cheia de esperança e encorajamento. Deus mostra sua graça e nos chama ao arrependimento para vivermos uma vida feliz e aprovada na sua presença.

            Outra pista de como chegaram à indiferença ao amor de Deus é que:

2.   Eles olhavam mais para a condição em que viviam do que para o Plano de Deus em suas vidas. Ao olharmos para o texto, vemos que eles só olhavam para sua vida material. Diante dos problemas, eles mediam o amor de Deus pela sua prosperidade. Mas como as coisas andavam ruins, eles se tornaram indiferentes.

            Em contraste com as suas circunstâncias difíceis. Os profetas haviam declarado uma era de ouro para Israel quando a terra produziria frutos abundantes, as pessoas iriam habitar em segurança sob o reinado do Messias (Is 49.19-23; 54.1-3; Jr 23.5-6; Ez 25-30; Zc 8.1-8, 12-15, 20-23). Mas nada disso aconteceu. Em seguida, vem o profeta Malaquias e diz: Deus te ama e tem um plano maravilhoso para suas vidas! E eles dizem: Como é que Deus nos ama?

Eles tinham voltado e estavam em Jerusalém por cerca de 125 anos. O templo estava restaurado, e Neemias levou o povo a reconstruir os muros da cidade. Mas, eles não tinham um exército para se proteger dos vizinhos hostis. Eles ainda estavam sob o domínio do rei persa. Suas fazendas não estavam produzindo muito bem por causa da seca (3.10-11). Muitos deles, provavelmente, estavam pensando, se esta é a terra prometida, eu odiaria ver a terra não prometida! (Jocarli Jr).

            Vivemos em situação semelhante. Olhamos a prosperidade dos outros e começamos a achar que não compensa servir ao Senhor. Nestes tempos difíceis de crise financeira nacional nos atingindo, empregados com salários atrasados, lavoura não rendendo o que se esperava, aperto financeiro, aumento dos preços, se a gente ficar concentrado apenas nos problemas que temos, seremos consumidos por eles. Tendemos ao pecado da indiferença, da incredulidade de que Deus nos ama, de fato. Mas precisamos olhar nossa vida na perspectiva de Deus, de seus propósitos de salvar a humanidade sem Cristo, no seu desejo de que seu reino seja implantado nos corações daqueles com quem convivemos e que somos responsáveis por glorificar ao Senhor com nossas palavras, pensamentos e ações. Paulo nos ensina que devemos viver a nossa vida pela fé no filho de Deus que nos amou e se entregou por nós. Por mais dificil que esteja, podemos todas as coisas naquele que nos fortalece. Fl.4.13.

            Mas há ainda outra pista que mostra como eles chegaram à frieza espiritual e à indiferença ao amor de Deus.

3. Eles se acostumaram com o sagrado. Pr. Ruiter, um amigo que conheci e que muito investiu na minha vida e na minha preparação, sempre fala que a pior coisa que pode acontecer conosco é nos acostumar com o sagrado.

            Deus não está reclamando aqui que as pessoas não estão cultuando. Na verdade, ele vai pedir mais a frente para que alguém feche as portas do templo. Ou seja, eles estavam cultuando, estavam adorando a Deus. Eles faziam seus sacrificios. Tudo que estava prescrito na lei de Moisés era observado. Mas eles não tinham uma relação vital com Deus. Estavam longe do Senhor. Eram religiosos, mas perderam a intimidade com Deus. Deixaram suas dificuldades roubarem o sentido da presença amorosa de Deus.

            O resultado dessa religiosidade sem Deus foi decadência moral (cap. 2) e indiferença espiritual (cap.3). Respondendo a pergunta dos israelitas, Deus mostra que seu amor é comprovado e estava registrado pela história.

            Como superar esta frieza espiritual?

2. A SOLUÇÃO É CONSIDERAR COMO DEUS NOS DEMONSTROU SEU AMOR NOS ESCOLHENDO.

2 Eu vos tenho amado, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Acaso não era Esaú irmão de Jacó? Diz o Senhor; todavia amei a Jacó,

3 e aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto.

4 Ainda que Edom diga: Arruinados estamos, porém tornaremos e edificaremos as ruínas; assim diz o Senhor dos exércitos: Eles edificarão, eu, porém, demolirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o Senhor está irado para sempre.

5 E os vossos olhos o verão, e direis: Engrandecido é o Senhor ainda além dos termos de Israel.

            A resposta de Deus à pergunta: “em que nos tem amado?” foi ilustrando seu amor paciente. Ele os respondeu lembrando que Israel foi o escolhido. O amor de Deus é pactual. Ou seja, é de aliança. Deus fez um pacto de amá-los e cuidar deles. Deus nunca falhou nisso.

            Esta comparação entre Jacó e Esaú, Judá e Edom é para lembrar ao povo de Israel do amor imerecido e, portanto, a eleição de Deus. Eles tiveram a audácia de exigir que Deus mostrasse como Ele os amou, desconsiderando completamente o seu estado original como povo eleito. Por nascimento Esaú era tanto uma criança privilegiada como Jacó, ambos eram filhos gêmeos dos mesmos pais, Isaque e Rebeca. No entanto, Deus tinha amado Jacó com um amor misericordioso.

            Deus está dizendo ao seu povo, eu poderia ter rejeitado vocês. Mas, ao contrário, eu os escolhi. Eu decidi amar vocês.

            Certo filho adolescente descobriu que havia sido adotado pelos seus pais quando ainda era um bebê. Os pais temiam que o adolescente ficasse revoltado, mas o rapaz abraçou os pais adotivos e lhes disse: “agora eu os amo ainda mais, porque agora sei que vocês me escolheram”.

            Jesus afirmou em João 15.1”Não fostes vós que me escolhestes, mas, eu vos escolhi a vós”.

            Na verdade, pudemos um dia crer e “aceitar” Jesus, porque já fomos aceitos por ele na cruz.

            Não há mérito em nós, apenas um amor singular comprovado na cruz.

            Saber que fomos escolhidos por Deus por meio de Jesus Cristo nos humilha, pois mostra como somos pecados indignos.

            Se nos lembrarmos da história biblica, podemos ver que Esaú era um homem muito melhor do que Jacó. Jacó enganou seu pai e tomou a bênção do irmão. Esaú, embora tenha ficado zangado e tenha tido vontade de matar Jacó, mais tarde o perdoou totalmente. Em Gênesis, Rebeca perguntou a Deus por que as duas crianças em seu ventre brigavam tanto entre si: “Respondeu-lhe o SENHOR: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço” (Gn 25.23).

Você pode pensar que isso não é justo! Paulo sabia que você poderia pensar assim, e por isso, ele lida com essa objeção em Romanos 9.14-18, onde Ele argumenta que Deus é livre para mostrar misericórdia e compadecer-se de quem Ele aprouver ter compaixão. Deus foi perfeitamente justo ao condenar todos os anjos caídos que pecaram sem oferecer-lhes uma forma de salvação. Deus seria perfeitamente justo em condenar toda a raça humana, porque todos pecaram. Ele não deve misericórdia a ninguém.

            Precisamos reconhecer que é pela graça que somos salvos. E não podemos continuar indiferentes a tão grande amor por nós.

           

Por causa disto, temos algo a fazer. Sim, já que fomos escolhidos por Deus por meio de Jesus Cristo, temos a missão de proclamar o seu nome, de anunciar a sua salvação.

            Os vossos olhos o verão, e vós direis: Grande é o Senhor também fora dos limites de Israel.

… Eles edificarão, mas eu destruirei; e Edom será chamado Terra-De-Perversidade e Povo-Contra-Quem-O-SENHOR-Está-Irado-Para-Sempre” (v. 4) – Israel pode não estar muito bem financeiramente desde o retorno da Babilônia. Mas eles viveram na “Terra Santa”, e não poderiam se comparar com Edom. Eles serão chamados “Terra-De-Perversidade e Povo-Contra-Quem-O-SENHOR-Está-Irado-Para-Sempre” (1.4). “porém aborreci a Esaú ; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto” (v. 3) – O que tinha feito Edom para merecer isso?

            Os Edomitas negaram passagem ao povo de israel em seu território. (Nm 20.18). Eles foram armados para impedir que o povo de Deus passasse por entre as terras deles. No livro de Obadias, há o registro de que os edomitas se uniram aos babilônios para destruirem os judeus. Agora Deus diz: Eles edificarão, mas eu destruirei.

            O grande amor de Deus por Israel pode ser visto na restauração de Jerusalém. Eles rejeitaram a Deus, não deram ouvidos aos profetas e foram destruídos pela Babilônia. Mas Deus restaurou Israel e não restaurou Edom. Enquanto a nação de Israel, que tinha sido destruída, seria edificada, Deus estava destruindo definitivamente a nação daqueles contra quem ele estaria irado para sempre.[8] A terra de Edom será sempre uma terra de perversidade e um lugar debaixo da ira de Deus.

            Podemos olhar as pessoas sem Deus e ver a vida boa que levam. São bonitos, ricos, poderosos, populares, etc. Mas a eternidade deles é a ira de Deus para sempre.

            Não meça o amor de Deus pelas circunstâncias dificeis que você enfrenta. Mesmo que você não entenda as coisas que você vive, ame o Senhor, e creia que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus. Lembre-se, nossa dor, nosso sofrimento, nossas dificuldades são temporárias e estão sob o controle de Deus para um propósito definido de glorificá-lo.

            Há momentos na vida de cada cristão, que, embora esteja andando pela fé, Deus parece distante. Você ora, mas parece que Deus não responde. Você lê a Bíblia, mas aparentemente nada acontece. Você procura Deus, mas parece que Ele não está interessado em sua vida. Quando este dia chegar, lembre-se da fidelidade de Deus. Ter a perspectiva correta sobre a fidelidade de Deus determina o quanto nós confiamos nEle. Mesmo no momento mais difícil de sua vida, Jó ainda confiava em Deus, até a morte (Jó 23.10). Às vezes, nós nunca entenderemos deste lado do céu, outras vezes levaremos a vida inteira para entender.

Não fale como o povo de Israel, “Em que nos tem amado?” Em vez disso, confesse a grandeza do amor de Deus, assim como o seu próprio amor para com Ele, e tome a decisão de ser um espelho da sua graça, em vez de um espelho dos tempos em que você vive.[9]

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