1 Coríntios 8.4-13 Princípios para a vida cristã

PRÍNCIPIOS PARA A VIDA CRISTÃ

Pr. Joaquim José da Costa Dias

Texto: 1 Coríntios 8.4-13

4 Quanto a comer alimentos que tenham sido oferecidos aos ídolos, nós sabemos que um ídolo representa alguma coisa que realmente não existe. E sabemos que existe somente um Deus.

5 Pois existem os que são chamados de “deuses”, tanto no céu como na terra, como também existem muitos “deuses” e muitos “senhores”.

6 Porém para nós existe somente um Deus, o Pai e Criador de todas as coisas, para quem nós vivemos. E existe somente um Senhor, que é Jesus Cristo, por meio de quem todas as coisas foram criadas e por meio de quem nós existimos.

7 Mas nem todos conhecem essa verdade. Existem pessoas tão acostumadas com os ídolos, que até agora comem desses alimentos, pensando que eles pertencem aos ídolos. A consciência dessas pessoas é fraca, e por isso elas se sentem impuras quando comem desses alimentos.

8 Não é esta ou aquela comida que vai fazer com que Deus nos aceite. Nós não perderemos nada se não comermos e não ganharemos nada se comermos desse alimento.

9 Mas tenham cuidado para que essa liberdade de vocês não faça com que os fracos na fé caiam em pecado.

10 Porque, se uma pessoa que tem a consciência fraca neste assunto vir você, que tem “conhecimento”, comendo alimentos no templo de um ídolo, será que essa pessoa não vai querer também comer alimentos oferecidos aos ídolos?

11 Assim este cristão fraco, este seu irmão por quem Cristo morreu, vai se perder por causa do “conhecimento” que você tem.

12 Desse modo, pecando contra o seu irmão e ferindo a consciência dele, você estará pecando contra Cristo.

13 Portanto, se o alimento faz com que o meu irmão peque, nunca mais vou comer carne a fim de que eu não seja a causa do pecado dele.

INTRODUÇÃO:

                Em nossa reflexão sobre os primeiros três versículos deste capítulo 8 da 1ª carta aos Coríntios, destacamos que antes de falar em comida sacrificada aos ídolos, Paulo aconselhou aos coríntios a obterem e viverem uma sabedoria vinda do alto, pautada no amor a Deus e ao próximo. Paulo deixou claro, já nos primeiros versículos que assuntos locais, culturais, e até morais, dos quais a Bíblia não tratar muito claramente, o amor deverá ser o princípio geral para as nossas ações e escolhas.

                À partir do versículo 4, temos as situações que geravam conflitos e dúvidas entre os coríntios. O Comentário Moody destaca os motivos e as três dúvidas que existiam entre eles, dizendo assim: “Carnes sacrificadas a ídolos eram as sobras dos animais sacrificados aos deuses pagãos. Quer um animal fosse oferecido como sacrifício particular ou público, partes da carne sobravam para o ofertante. Se fosse um sacrifício particular, a carne podia ser usada para um banquete, ao qual eram convidados amigos do ofertante. Se o sacrifício fosse público, a carne que sobrava, depois que os magistrados retiravam a sua parte, podia ser vendida aos mercados para revenda ao povo da cidade. Os problemas, pois, eram estes:

1) Podia um cristão participar da carne que fora oferecido a um falso deus em uma festa pagã?

2) Podia um cristão comprar e comer carne oferecida aos ídolos?

3) Podia um cristão, quando convidado á casa de um amigo, comer carne, que fora oferecida aos ídolos?”.

Paulo nos dá princípios gerais para termos paz a respeito do assunto e este princípios servem para outros assuntos que poderão surgir e que a Bíblia, porventura, não os trate de forma tão clara. Quais princípios são estes?

  1. 1)AME O SEU DEUS AO PONTO DE CONHECÊ-LO PROFUNDAMENTE.

4 ¶ Quanto a comer alimentos que tenham sido oferecidos aos ídolos, nós sabemos que um ídolo representa alguma coisa que realmente não existe. E sabemos que existe somente um Deus. 5  Pois existem os que são chamados de “deuses”, tanto no céu como na terra, como também existem muitos “deuses” e muitos “senhores”. 6  Porém para nós existe somente um Deus, o Pai e Criador de todas as coisas, para quem nós vivemos. E existe somente um Senhor, que é Jesus Cristo, por meio de quem todas as coisas foram criadas e por meio de quem nós existimos. 7 ¶ Mas nem todos conhecem essa verdade.

                Nos versos 4 até o início do verso 7, Paulo fala 7 vezes a palavra existir ou suas variações (há, ser, etc). Para ter um entendimento claro a respeito dos ídolos, era preciso antes obter um entendimento claro a respeito do Deus da Bíblia ao qual servimos. O problema não era a carne ou alimento dedicado ao ídolo, a questão mais importante era saber o que é o ídolo e quem é o Deus que eu sirvo.

                Para Paulo, tanto a comida quanto o ídolo são insignificantes. Eles não representam nada em questões espirituais, pois no fundo, só existe um Deus verdadeiro e não há outro. Nenhuma imagem ou objeto que sirva para culto ou adoração representa algo ou alguém que de fato possa ser um Deus. Paulo até admite que exista muita gente ou coisas a quem foram dados os títulos de deuses e senhores pelas pessoas, ou eles mesmos se intitularam assim, contudo, isso não significa que realmente o são (v.4).

                Nós temos uma revelação bíblica mais profunda e verdadeira. Nós temos o conhecimento de que somente existe um único Deus criador e sustentador de todas as coisas, e um Senhor, que é Jesus Cristo, seu filho único, que faz com que as coisas criadas tenham sentido. E ainda mais, Paulo afirma que nós existimos, nos somos quem somos, por causa de Jesus.

                Mas há uma realidade com que convivemos. No início do verso 7, Paulo afirma que nem todos conhecem essa verdade. Tantos os de fora, os não salvos, não conhecem esta verdade, por que não aceitam as verdades das escrituras, e, portanto, não reconhecem a Deus com único e verdadeiro e muito menos a Jesus, como também existem muitos, dentro de nossas igrejas, que também não tem conhecimento dessa verdade a respeito de Deus e que ainda não se submeteram ao senhorio de Cristo, tendo nele crido apenas como salvador de suas vidas.

                Para que não sejamos condenados ou enganados, precisamos ter convicção plena e profunda do Deus e do Cristo a quem servimos e mantermos com ele um relacionamento íntimo.

  1. 2)AME SEU IRMÃO AO PONTO DE SACRIFICAR-SE POR ELE.

“8 Não é esta ou aquela comida que vai fazer com que Deus nos aceite. Nós não perderemos nada se não comermos e não ganharemos nada se comermos desse alimento. 9 Mas tenham cuidado para que essa liberdade de vocês não faça com que os fracos na fé caiam em pecado. 10 Porque, se uma pessoa que tem a consciência fraca neste assunto vir você, que tem “conhecimento”, comendo alimentos no templo de um ídolo, será que essa pessoa não vai querer também comer alimentos oferecidos aos ídolos? 11 Assim este cristão fraco, este seu irmão por quem Cristo morreu, vai se perder por causa do “conhecimento” que você tem. 12 Desse modo, pecando contra o seu irmão e ferindo a consciência dele, você estará pecando contra Cristo. 13 Portanto, se o alimento faz com que o meu irmão peque, nunca mais vou comer carne a fim de que eu não seja a causa do pecado dele”.

                O resumo dos versículos 8 a 13 é que crentes mais maduros precisam amar os crentes novos na fé ou aqueles que ainda que esteja há muito tempo na igreja, se mostrem imaturos e cheios de superstições.

                Esta porção da carta parece se referir muito mais aos que são mais fortes ou mais maduros. Para estes, uma vez salvos, libertos por Cristo, não estavam mais escravizados às crendices e superstições. Podiam comer e beber o que quisessem, pois eram livres em Cristo. Mas a minha liberdade e maturidade, não pode desprezar o outro que não chegou ao mesmo nível que o meu.

                Comer a carne não era problema para alguns, que se sentiam maduros na fé, mas o era para os mais fracos. A carne não abençoaria ninguém que a comesse, nem a pessoa perderia nada se não comesse. A questão da consciência é então levantada. Era preciso olhar com amor para aqueles que ainda não amadureceram e evitar algumas práticas que poderiam se não entendidas corretamente, induzi-los ao pecado. Em Romanos 14.22, Paulo afirmou: “Feliz a pessoa que não é condenada pela consciência quando faz o que acha que deve fazer!”.

                É neste aspecto que podemos resumir estes versículos como amor ao próximo. Tenho liberdade para fazer qualquer coisa, comer ou beber, mas tais coisas, se trazem algum prejuízo para algum irmão, a ponto de faze-lo pecar, eu, por amor a Cristo e ao meu irmão, não devo mais fazer.

                O que para alguém é pecado, se o fizer, estará pecando. Mas não devemos ser o motivo de ninguém pecar. Esse é o conselho de Paulo para nós.

  1. 3)APLICAÇÕES PARA HOJE

“13 Portanto, se o alimento faz com que o meu irmão peque, nunca mais vou comer carne a fim de que eu não seja a causa do pecado dele”

Segundo o Novo Comentário da Bíblia, “O ponto levantado neste capítulo, embora se refira à situação particular em Corinto, é de interesse permanente para os crentes”.

Há outros assuntos que a Bíblia não traz posições claras. Este assunto, “Lança luz, por exemplo, sobre a questão do jejum. O apóstolo podia ensinar claramente que o simples jejum, desacompanhado de uma disposição espiritual para com Deus, é inútil. Ele próprio jejuara muito “em jejum muitas vezes” (#2Co 11.27) -mas fora por necessidade, no curso de seu trabalho para o Reino”. Talvez alguns considerem necessário fazer o jejum judaico, só porque está na Bíblia, e há outros que já se livraram destas práticas.

“Também se aplica esse princípio com referência, por exemplo, a prazeres ou entretenimentos-que para nós são inocentes, mas que podem escandalizar os crentes “novos”. Se com o nosso comportamento descuidado ofendemos a consciência deles, pecamos contra Cristo (12). E é sério pensar nisto”.

Entretanto, é preciso lembrar que o amor, e não a luz, ou seja, o conhecimento é que resolverá nossos problemas.

Aqui termino, utilizando-me das palavras do Comentário Moody: “Nas questões morais, sobre as quais a Palavra tem falado, a Palavra é suprema. Nas questões moralmente insignificantes como, por exemplo, o comer de carne oferecida aos ídolos, a liberdade deve ser regulada pelo amor. Diversas coisas precisam ser conservadas em mente,  entretanto. Em primeiro lugar, a passagem não se refere aos legalistas desejosos de imporem seus escrúpulos tacanhos sobre os outros. Esses não são irmãos fracos, mas irmãos teimosos que desejam se gloriar na sujeição de outros aos seus caprichos (cons. Gl. 6:11-13). Isto é tirania, e o Cristianismo deve sempre estar em guarda contra isso. Em segundo lugar, deve-se notar neste versículo que a decisão de  seguir o caminho do amor compete a Paulo,(ou seja, aos fortes – inclusão minha), não ao irmão fraco. O forte deve se submeter ao apelo do amor”. Afinal de contas, é por isso que somos mais maduros e mais fortes, para fazermos o certo e abençoarmos aos outros.

 

 

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